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Cavalhada de Poconé

Tradicional Cavalhada reuniu milhares de pessoas em Poconé



Postado por: Benedito Edmar Oliveira​ Sales in Notícias 4 dias atras 0 153 Visualizacoes


Um grande público prestigiou neste domingo (24), a tradicional Festa da Cavalhada, na cidade de Poconé (a 120 quilômetros de Cuiabá). Considerada Patrimônio imaterial da cultura pantaneira, a Cavalhada de Poconé foi inserida no folclore brasileiro, na década de 1950.
Trazida ao Brasil pelos padres jesuítas em 1826, para ser integrada a Festa do Divino Espírito Santo, as Cavalhadas são uma representação das lutas travadas entre Cristãos e Mouros, quando o exército muçulmano, depois de conquistar Portugal e Espanha, resolve invadir a França. São várias versões para o surgimento das Cavalhadas.
Mas, em Poconé se mantém a versão de que a batalha teve inicio, após o sequestro da rainha Moura pelos Cristãos, em troca da conversão dos Mouros ao Cristianismo. Como nenhum dos lados cederam, essa batalha medieval de 732 tem sido retratada, até os tempos atuais, em diversas cidades do Brasil.
Realizada por famílias festeiras da cidade, a Cavalhada de Poconé tem o apoio da Prefeitura Municipal, Câmara dos Vereadores e o comércio local, além de recursos do Estado de Mato Grosso, através de emendas parlamentares. Comemorada, durante uma semana, com outros atrativos, a Cavalhada se tornou referência na região pantaneira, assegurando o crescimento na receita municipal. Durante a Cavalhada foram feitas varias homenagens às personalidades importantes do evento, como Paulo Cesar Silva Campos, avô da Rainha.
“Nossas pousadas e hotéis são sempre ocupados por diversos turistas de outras regiões e os restaurantes e o comércio registram aumento nas vendas. Então, o evento proporciona ganhos para todos”, afirmou o Secretário de Turismo e Cultura de Poconé, Manoel Salvador Pereira Leite.
Nos dias que antecedem a Cavalhada, a cidade ganha movimento noturno e diurno, que são comuns somente nos finais de semana, quando os turistas chegam de diversas partes do Brasil e exterior, para visitarem o Pantanal.
Prefeito de Poconé Tatá Amaral e a primeira-dama Joelma Gomes juntos com a Rainha da Cavalhada 2018
“Sem duvida é uma festa que é tradição já comprovada por muitas pessoas que passam na nossa cidade para ver a Cavalhada”, disse o prefeito de Poconé, Tatá Amaral (PR).
As famílias poconeanas valorizam a tradição das Cavalhadas. Em muitos casos elas, são repassadas de pais para filhos. “Nessa época paramos tudo para dedicarmos, primeiramente, aos festejos a São Benedito e, em seguida, à Cavalhada. E com isso, temos o entrelaçamento das famílias do nosso município”, explicou Karlina Falcão de Arruda Calábria.
Indicado pela Irmandade de São Benedito, o Rei da Cavalhada deste ano, Victor Prado Silva herdou dos antepassados, o gosto pelas Cavalhadas. “A Cavalhada significa manter viva a história do meu pai, avô e tios, que também foram reis e cavaleiros de São Bendito. É uma emoção muito grande fazer parte dessa festa. Aqui somos todos de famílias que têm uma história importante dentro de Poconé”, disse Victor.


Rainha da Cavalhada 2018: Ana Vitória Silva Campos Pedroso
Assim, como o reinado é transferido de pai para filho, o posto de rainha, também passa de mãe para filha. “Muita honra ver minha filha sendo a rainha da Cavalhada. O coração está transbordando de felicidade vê-la na arena da Cavalhada”, disse Iana Falcão.
O orgulho pela Cavalhada ganha reforço da área da educação municipal sendo incluída na grande curricular das escolas, por livros e citações, sobre a importância da preservação das raízes culturais do município. “É a união da irmandade de São Benedito. Além disso, faz parte da educação, por envolver as escolas estaduais e municipais, no estudo a respeito da Cavalhada com pesquisas entre os alunos, para que eles possam conhecer a história da Cavalhada, que uma cultura e tradição em Poconé”, afirmou a Secretária de Educação de Poconé, Ornella Falcão.
A batalha tem como personagens, a Rainha, Cavaleiros Cristãos e Mouros, Pagens (crianças), Encapuzados, Caixeiro, Máscara, Guardas do Castelo, Auxiliares de Pista e Narradores e Locutores.
Os Cavaleiros entram na arena e desfilam para o público nas arquibancadas com as bandeiras de São Benedito e Divino Espírito Santo. Em seguida, os encapuzados entram fazendo evoluções provocando a batalha. Há então, o reconhecimento de área pelos exércitos Mouro e Cristão acompanhados por seus 12 Pagens.
A entrada da rainha no castelo é feito com o mantenedor Mouro e dois dos seus sodados guardiãs. E nesse momento acontece o roubo da rainha por um Cristão, que entra no castelo. Ela fica refém, mas o mantenedor Mouro e seu guarda matam o Cristão e resgatam a rainha. Em seguida ateiam fogo no castelo e a entregam aos cuidados dos festeiros de São Benedito, no palanque oficial. A apresentação sensibiliza o público que aplaude e vibra com a beleza da rainha salva.


A batalha continua com varias disputas entre os Mouros e Cristãos. Depois do tratado de guerra fazem a corrida do encontro com lanças e espadas, corrida da cabeça de judas quando arrancam a cabeça de bonecos com lanças e espadas, corrida do bastão e neste ano, uma corrida em homenagem a Giovani Nunes Rondon, corrida da flor cruzada, corrida da aliança em homenagem a Zelito Dorilêo, corrida dos seis mantenedores, corrida das seis argolas em homenagem a Benedito Walter da Silva. Há um pedido de trégua pelos Cristãos que é aceito pelos Mouros. Mas depois a batalha continua com a corrida de fogo, corrida do encontro, corrida do papo em homenagem a Pedro Otaviano de Araújo Bastos, corrida da flor grande, corrida do sucuri, em homenagem a rainha, corrida do oito grande, corrida da argolinha, corrida do caracol, corrida do limão, corrida das bandeiras, corrida do lenço e finalmente, a prisão e rendição, quando os Mouros pegam a bandeira branca e promovem a paz com os Cristãos e recebem a rainha de volta.
30 de Junho de 2018